07 de junho de 2026 · por Dra. Marisa Kelly Nunes

O que fica quando o definitivo vai embora

Mulher jovem de olhos fechados, rosto ao sol, expressão serena, em luz natural

Há palavras que parecem promessa e são sentença. Definitivo é uma delas.

Por anos, o preenchimento com PMMA, polimetilmetacrilato, foi vendido assim: um volume que não vai embora, uma forma que se fixa, um resultado para sempre. O para sempre, porém, tem dois lados. O que não sai quando agrada é o mesmo que não sai quando adoece.

Em 1º de junho de 2026, o Conselho Federal de Medicina publicou a resolução nº 2.461/2026. A partir do dia seguinte, o uso injetável do PMMA por médicos em preenchimentos na pele passou a ser proibido em todo o Brasil, com finalidade estética ou reparadora. A única exceção prevista é o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, e ainda assim apenas em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS.

A norma trata do ato médico. Mas a conversa é maior do que uma categoria profissional. A conversa é sobre o corpo de quem confia.

O que é o PMMA

O PMMA é um plástico transparente. Na estética injetável, apresenta-se como um gel com microesferas e funciona como preenchedor permanente, facial e corporal. Permanente é a palavra-chave. Diferente de outros materiais que o corpo reabsorve com o tempo, o PMMA fica. Entremeia-se nos tecidos. Faz morada. E é justamente essa permanência que está no centro da decisão.

Por que a medicina recuou

A relatora da resolução, cirurgiã plástica e conselheira do CFM, descreveu o que pode acontecer ao longo do tempo: reação inflamatória crônica, formação de granulomas, migração do material pelo corpo, alterações nos níveis de cálcio, comprometimento renal. O risco não está apenas no momento da aplicação. Está no depois.

Vale registrar a tensão que existe aqui. A Anvisa mantém posição de que os produtos de PMMA registrados têm relação risco-benefício aceitável dentro das indicações aprovadas. O CFM, olhando para a prática clínica e seus desfechos, escolheu restringir. Duas leituras de uma mesma substância. E, no meio delas, um corpo que precisa decidir.

O que isso muda para você

Se você pensava em preenchimento permanente, esta é uma boa hora para pausar.

Não porque toda escolha definitiva seja errada. Mas porque o corpo muda, o gosto muda, a vida muda. E o que se fixa não acompanha.

Existem hoje caminhos seguros para volume, contorno e firmeza, bioestimuladores de colágeno que trabalham com o organismo, estimulando o que ele mesmo sabe produzir, e tantas outras abordagens pensadas para somar sem cobrar um preço irreversível.

Aqui, nada é definitivo no sentido que assusta. O que buscamos é outra coisa: o cuidado que permanece porque foi bem-feito, não porque ficou preso.

Antes de qualquer procedimento, uma pergunta

Pergunte sempre o que está entrando no seu corpo. De onde vem, o que faz, o que acontece se você mudar de ideia. Um bom profissional não teme essa pergunta, ele a espera.

E se quiser conversar sobre alternativas seguras, com calma e sem pressa, a nossa porta verde está aberta.

Porque cuidar de você também é dizer não ao que não cuida.

Agende sua avaliação ou fale com a Clin Clin no WhatsApp (31) 99880-9808. 💚

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