18 de setembro de 2026 · por Dra. Marisa Kelly Nunes

Manchas de sol no rosto: o que dá para fazer agora, em BH

Capa tipográfica da Clin Clin em fundo areia, com o título do artigo em serifa e a assinatura da marca.

Setembro em Belo Horizonte tem uma luz que muda tudo. A cidade seca do inverno vai embora, o ipê vira escândalo amarelo na esquina, e de repente dá vontade de ficar na rua. É mais ou menos nessa semana do ano que a paciente chega e me mostra, com a ponta do dedo, uma pintinha nova na maçã do rosto. Manchas de sol no rosto quase sempre aparecem assim: devagar, num verão que já passou, e a gente só percebe quando o sol volta e ilumina de novo.

Ela não dói. Não coça. Não incomoda em nada, a não ser na hora de se olhar.

E é justamente por não incomodar que ela fica anos ali, ganhando companhia.

O que são, de verdade, as manchas de sol no rosto

O nome técnico é melanose solar, ou lentigo solar. Traduzindo: são marcas castanhas, de contorno bem definido, que aparecem nas áreas que tomaram mais sol ao longo da vida. Rosto, colo, dorso das mãos, ombro. Nunca na barriga, nunca na parte de dentro do braço. O mapa delas no corpo já entrega a causa.

A pele tem células que fabricam pigmento, as melanócitas. O ultravioleta é um estresse para elas. Quando esse estresse se repete durante décadas, algumas dessas células ficam desreguladas num pontinho específico e passam a produzir pigmento em excesso ali, para sempre. Não é sujeira. Não é falta de esfoliação. É memória.

E memória é uma palavra boa para explicar isso, porque a pele guarda tudo com uma fidelidade meio cruel. A praia dos quinze anos está lá. O parquinho onde você ficou três horas esperando a criança cansar também.

Aqui entra a distinção que mais evita frustração no consultório: melanose solar não é melasma. O melasma tem contorno irregular, aparece em manchas maiores e borradas, costuma vir simétrico nas maçãs do rosto ou no buço, e tem uma raiz hormonal forte junto com o sol. São histórias diferentes, respostas ao tratamento diferentes e riscos de retorno diferentes. Se você quer entender a outra, escrevi sobre tratamento de melasma em BH com calma.

Misturar as duas é o erro clássico de quem se autodiagnostica pela internet e compra o produto errado. Às vezes o produto errado não faz nada. Às vezes ele piora.

O que trata e o que só promete

A melanose solar responde bem. Essa é a boa notícia e eu gosto de dar as boas notícias sem exagero.

O laser é o recurso mais direto. No Ômer Smart, a luz é absorvida pelo pigmento concentrado da mancha e o quebra em partículas pequenas, que o próprio organismo carrega embora nas semanas seguintes. A pele ao redor, que tem pigmento distribuído normalmente, quase não é atingida. Em manchas isoladas e bem definidas, uma ou duas sessões já mudam a fotografia do rosto.

O peeling químico trabalha de outro jeito: acelera a renovação das camadas superficiais e leva o pigmento junto na descamação. É bom quando as manchas são muitas, rasas e espalhadas, quando a textura também está pedindo atenção, ou quando a pele é mais sensível e a gente prefere um caminho gradual. Conversa bem com o que já contei sobre peeling químico em BH.

Os clareadores tópicos entram como o trabalho de casa. Ácido tranexâmico, vitamina C, niacinamida, ácido kójico, retinóides à noite. Eles não apagam uma melanose sozinhos, e quem promete isso está vendendo esperança em pote. O que eles fazem é segurar o pigmento, preparar a pele antes do procedimento e sustentar o resultado depois. Sem eles, a gente trata e a mancha volta a se organizar no mesmo lugar.

E tem o que a gente não faz. Nada de limão, nada de bicarbonato, nada de receita que promete resolver numa semana. Mancha tratada com ácido de cozinha vira queimadura, e queimadura em pele morena vira mancha maior e mais teimosa do que a original.

Um ponto de honestidade que vale mais do que qualquer protocolo: nem toda mancha castanha é melanose solar. Se ela mudou de cor, mudou de tamanho, tem bordas assimétricas ou sangra, a avaliação é do dermatologista, antes de qualquer laser. Na avaliação eu olho com lupa e, na menor dúvida, encaminho. Isso não é excesso de zelo. É o mínimo.

O cuidado antes e depois, que é onde o resultado mora

Essa parte quase ninguém conta, e ela decide tudo.

Antes. Trinta dias sem sol forte na área, e sol forte inclui a janela do carro no trânsito da Cristiano Machado. Protetor solar com cor, todo dia, reaplicado. Se você usa ácido em casa, a gente suspende alguns dias antes para a pele chegar calma. Bronzeado recente é contraindicação, não é detalhe: pele bronzeada tem pigmento espalhado por toda parte, e o laser não consegue mais distinguir a mancha do resto.

Depois. A área tratada escurece. Ela fica mais escura do que era, forma uma casquinha fina, e permanece assim por sete a dez dias. Isso é o esperado, é o pigmento subindo para sair. Toda paciente precisa ouvir isso antes, porque a que não ouviu passa a primeira semana em pânico achando que piorou.

E aí a regra de ouro: não coce, não esfregue, não tire a casquinha. Ela cai sozinha. Quem antecipa a queda leva pigmento novo de brinde.

Nos dias seguintes, hidratação generosa, sabonete suave, água à vontade e protetor solar a cada três horas, sem folga de fim de semana. Nada de sauna, piscina de cloro, exercício muito intenso ou esfoliante nas primeiras setenta e duas horas. Eu costumo dizer que o procedimento é meia hora e o resultado é dos trinta dias que vêm depois.

A primavera, aliás, é um bom momento para começar, não para terminar. Dá tempo de tratar, deixar a pele descansar e chegar no calor de verdade com o rosto protegido.

Como é na Clin Clin

A avaliação começa com luz boa e com pergunta. Quando surgiu, se mudou, quanto de sol você toma numa semana comum, o que já passou no rosto, se está grávida ou amamentando. Eu olho o fototipo, olho a mancha com lupa, e só então falo de aparelho.

Às vezes a resposta é laser. Às vezes é peeling em sessões. Às vezes é começar pelos clareadores por dois meses e reavaliar, porque a pele ainda está reativa e não é hora. E às vezes a resposta é uma carta de encaminhamento para o dermatologista, o que também é um resultado, ainda que ninguém agende esperando por ele.

A sala é pequena, tem cheiro de eucalipto e a música fica baixa. Você senta, a gente conversa, e eu explico cada passo enquanto faço. Meu nome é Marisa Kelly Nunes, sou Biomédica Esteta, CRBM 14.754, e trabalho com a ideia simples de que ninguém decide bem sobre o próprio rosto com pressa.

As manchas contam onde você esteve. Não há nada de errado nisso. Mas se elas passaram a falar mais alto do que você gostaria, dá para baixar o volume com técnica, com paciência e sem inventar milagre.

Agende sua avaliação ou fale com a Clin Clin no WhatsApp (31) 99880-9808.

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