22 de setembro de 2026 · por Dra. Marisa Kelly Nunes
Fios de sustentação em BH: o que os fios de PDO fazem, e o que não fazem

Quase toda mulher que me pergunta sobre fios de sustentação em BH chega com a mesma história, e ela quase nunca começa no espelho. Começa numa chamada de vídeo, com o celular apoiado na mesa, a câmera olhando de baixo pra cima. Aquele ângulo entrega o terço inferior do rosto de um jeito que o espelho do banheiro nunca entregou.
A frase costuma vir assim: o rosto continua sendo o meu, mas parece que escorregou um pouco.
Escorregou mesmo, e não é impressão. Só que o caminho de volta tem nome, tem técnica e tem limite. E é exatamente sobre o limite que quase ninguém conversa antes.
Como funcionam os fios de sustentação
O fio de PDO é feito de polidioxanona, o mesmo material de fio cirúrgico absorvível que a medicina usa há décadas em cirurgia cardíaca e pediátrica. Ele entra por uma agulha fina ou por uma cânula, fica alojado no plano certo da pele e, com o tempo, o corpo o absorve por completo. Não fica nada ali dentro.
O que fica é o que ele provocou. A presença do fio estimula uma resposta de reparo do organismo, e essa resposta produz colágeno novo em volta do trajeto. É a mesma lógica do bioestimulador de colágeno, só que organizada numa linha, com direção definida.
Existem famílias diferentes e elas fazem coisas diferentes. Os fios lisos trabalham textura e firmeza de uma área, sem puxar nada: entram em malha, tratam pele fina, pescoço, pequenas linhas. Os fios espiculados, que têm farpas ao longo do corpo, se ancoram no tecido e fazem reposicionamento de verdade, discreto, na direção que a gente escolhe. Um levanta, o outro adensa. Na prática, muita paciente precisa dos dois, em momentos diferentes.
A aplicação leva de trinta a sessenta minutos, com anestesia local nos pontos de entrada. A paciente sai andando, dirige, volta pra casa.
O que os fios de PDO não fazem
Aqui está a parte que eu falo antes de qualquer outra, porque ela evita a frustração do terceiro mês.
Fio de sustentação não é lifting cirúrgico. O cirurgião plástico retira pele, redistribui tecido e reposiciona estruturas profundas. O fio reposiciona o que ainda tem sustentação própria e ganha tempo. Quando a flacidez é grande, com pele sobrando de verdade, o fio dá um resultado tímido e caro, e a conversa honesta é encaminhar pra avaliação de cirurgia.
Fio também não devolve volume. Se o que sumiu foi preenchimento natural da bochecha, nenhum fio traz isso de volta, porque ele trabalha com o que existe, não cria o que faltou. Nesses casos o plano pede outra coisa antes, como mostrei quando falei de flacidez no rosto sem cirurgia.
E fio não é eterno. A polidioxanona some do corpo em seis a oito meses; o colágeno que ela deixou costuma sustentar o resultado por doze a dezoito meses, variando muito com a pele de cada uma, com o sono, com o sol e com o cigarro. Quem promete mais tempo que isso está vendendo, não explicando.
Segurança começa na avaliação, não na aplicação
Fio é procedimento de agulha em plano profundo, no rosto. Isso pede anatomia na cabeça de quem aplica e pede critério para dizer não.
Tem rosto que não é candidato. Pele muito fina em região de grande mobilidade, expectativa de resultado cirúrgico, infecção ativa na área, uso de anticoagulante sem liberação do médico que prescreveu, doença autoimune em atividade: em todos esses cenários a resposta certa é esperar ou encaminhar. Sou Biomédica Esteta, CRBM 14.754, e a parte do meu trabalho de que mais me orgulho é reconhecer o que não é meu.
Procedência do material também não é detalhe. Fio precisa de registro na Anvisa, embalagem lacrada, rastreabilidade de lote. Eu abro a embalagem na frente da paciente. Quando o assunto é injetável, vale repetir o que já é regra da casa: nossos protocolos de preenchimento são livres de PMMA, em linha com a Resolução CFM nº 2.461/2026, porque material permanente no rosto é risco que não compensa em nenhuma idade.
O cuidado antes e depois, que é metade do resultado
Essa parte parece burocracia e é onde o resultado se decide.
Antes: suspenda anticoagulante e anti-inflamatório só com autorização de quem prescreveu, normalmente uns três dias antes, porque eles aumentam hematoma. Nada de bebida alcoólica na véspera. Evite marcar a aplicação na semana da menstruação, quando a sensibilidade e o inchaço estão maiores. Venha sem maquiagem e com a pele calma, sem ácido forte ou peeling recente. E me conte tudo o que já foi feito nesse rosto, inclusive o que foi feito em outro lugar e não deu certo. Isso muda o plano.
Depois, nas primeiras 48 horas: gelo com pano limpo, cabeceira um pouco elevada pra dormir, sem maquiagem, sem sol forte, sem academia, sem sauna e sem álcool.
Depois, nas três a cinco semanas seguintes, que é o período em que o fio acomoda: durma de barriga pra cima, sem encostar o rosto no travesseiro. Nada de massagem facial, drenagem no rosto, limpeza de pele ou aparelho na área. Evite abrir muito a boca, então adie a consulta odontológica longa e ria com moderação nos primeiros dias, por mais engraçado que isso soe. Sem bocejo largo, sem mastigar chiclete.
Inchaço e hematoma na primeira semana são esperados, não são complicação. Pode aparecer uma pequena ondulação ou um repuxo ao sorrir nos primeiros dias, e quase sempre isso se acomoda sozinho. O que não é esperado é dor crescente, vermelhidão que aumenta, calor local ou febre. Nesses casos, me chame no mesmo dia.
O que é honesto esperar
Um efeito imediato aparece já na saída, pelo reposicionamento mecânico, e ele reduz um pouco quando o inchaço baixa. Não se assuste com essa segunda semana, ela engana.
O resultado bonito mesmo chega entre sessenta e noventa dias, quando o colágeno novo se organiza. É uma mudança de contorno, não de identidade: o terço inferior fica mais definido, a linha da mandíbula volta a ter desenho, a pele do pescoço ganha firmeza. Quem conhece diz que você está com boa aparência, e não consegue apontar o que mudou.
Em muitos planos o fio não trabalha sozinho. Ele divide o protocolo com bioestimulador, com skinbooster ou com a firmeza de aparelho, do mesmo jeito que conversamos no tratamento para papada sem cirurgia. O fio dá a direção; o resto dá a qualidade do tecido que vai segurar aquela direção.
Como é na Clin Clin
A clínica fica na Cachoeirinha, e a avaliação aqui é sentada, com luz boa e sem pressa. Eu peço pra paciente falar comigo enquanto observo o rosto em movimento, porque rosto parado conta metade da história. Depois pego o espelho, mostro com o dedo a direção que o fio seguiria e pergunto se é aquilo que ela quer ver.
Às vezes a resposta é não, e a gente muda o plano ali mesmo. Às vezes a resposta é que o momento não é agora. Já mandei paciente embora sem marcar nada mais de uma vez, e nenhuma dessas conversas me pareceu uma venda perdida.
O que eu quero é que você chegue naquela chamada de vídeo, veja o seu rosto no ângulo esquisito e não precise mexer no celular.
Agende sua avaliação ou fale com a Clin Clin no WhatsApp (31) 99880-9808.
